Psicologia
das Transições

Na Psicologia, o termo Transição pode ser definido como a experiência subjetiva de romper com um contexto de vida que é conhecido e entrar num outro que ainda não se sabe como será. Esta “travessia” é frequentemente acompanhada de pensamentos de estranheza e confusão, sentimentos de tristeza ou apatia, sensação de estar perdido na sua própria vida, estados de ansiedade generalizada com elevada consciência da própria vulnerabilidade.
Os autores sugerem que todas as Transições envolvem possibilidades de crescimento porque implicam mudanças, processos que se desenvolvem em fases e ajustes de identidade. Essa perspectiva permite pensar nas Transições em três dimensões principais:
1. Ruptura com o velho: perda de papéis, funções, vínculos ou identidades, o que envolve desaparecimento de referências, processos de luto, crises de auto-estima, sentimentos de vazio e estranheza com o que era familiar
2. Suspensão no entre: vivência de incerteza, ambiguidade e instabilidade, muitas vezes refletidas em pensamentos ruminativos, hipervigilância, estados de inércia e apatia, ansiedade antecipatória e desesperança
3. Construção do novo: reorganização, ressignificação e adaptação, sustentadas por alteração da narrativa interna, recuperação de sentido, flexibilidade cognitiva, integração de novos elementos identitários e, mesmo, crescimento pós-traumático
No limite, qualquer uma destas fases envolve uma ameaça à segurança interna. Independentemente da área em que se manifesta, uma experiência de Transição deverá ser encarada como uma vivência psicológica complexa que beneficiará da intervenção integrada das diferentes correntes teóricas a baixo descritas.


